Vem aí a pílula anticoncepcional masculina

admin 20 de agosto de 2012 0


 

A Ciência deu mais passo importante. Cientistas americanos da Universidade de Harvard descobriram uma substância que pode ser a mais nova pílula anticoncepcional masculina. Pesquisa feita em ratos mostrou que a JQ, como está sendo chamada a substância, funcionou e não provocou efeitos colaterais. Os resultados mostraram que camundongos machos ficaram estéreis, mas não tiveram prejuízos no desempenho sexual, nas taxas de testosterona nem no comportamento.  Bastou que os bichos usados no estudo parassem de levar injeções da JQ1 para que se tornassem totalmente férteis, gerando filhotes que, pelo que se sabe, são normais.

 

O JQ1 é livre de hormônios. A substância inibe uma proteína presente nos testículos de camundongos e homens, conhecida como BRDT, que é essencial para a fertilidade. Dessa forma, as cobaias começaram a produzir menos espermatozoides e, mesmo quando os fabricavam, eles não se locomoviam direito.

Ainda segundo os pesquisadores o JQ1 foi descoberto por acaso, já que a substância estava sendo testada contra leucemia e tumores no pulmão. No meio do estudo, os cientistas desconfiaram que esse composto poderia ter um outro uso.

Segundo o urologista Marcelo Vieira, do Hospital Albert Einstein, esta ideia de se criar uma pílula anticoncepcional masculina não é nova, muito pelo contrário, há muito tempo os pesquisadores vem pensando nisso, já que é uma forma do homem dividir a responsabilidade com a mulher.  “Os resultados em animais mostram que a droga é segura, que o retorno à normalidade acontece em um curto prazo e não existem outros efeitos importantes, disse.

Mas, ainda segundo ele, a grande dificuldade da ciência em formular um anticoncepcional masculino está justamente no fato de que as drogas precisam entrar na corrente sanguínea, chegar até os testículos e atingir as células produtoras de esperma, o que esse estudo parece prometer.

Ainda segundo os pesquisadores o método final pode resultar numa pílula ou injeção que permitam a liberação lenta da substância no organismo. Resta saber se os homens seriam tão disciplinados, quanto as mulheres, ao se proteger.

Outra linha de pesquisa

A pílula feminina foi desenvolvida para tratamentos de fertilidade e só então os cientistas descobriram que possuíam uma arma contra a concepção em mãos. Da mesma maneira, diversos contraceptivos masculinos nasceram de tratamentos de doenças relacionadas.

A droga gamendazola foi usada para combater o câncer antes de descobrirem que ela interrompia o ciclo de maturação do esperma. Outras duas drogas estão em estágios de desenvolvimento para a contracepção: uma que regula a pressão sanguínea e um antipsicótico, ambos usados para prevenir a ejaculação durante o orgasmo. Esta linha de pesquisa foi publicada no jornal New York Times.

Conforme a publicação, os primeiros coquetéis para homens podem ser feitos com a combinação do hormônio feminino progesterona com o masculino testosterona. Isso porque o hormônio feminino enganaria o cérebro masculino, enviando uma mensagem para suspender a produção de testosterona, o que pararia a produção de sêmen. Já a testosterona seria parte do medicamento para evitar perda da libido e de massa muscular, assim como para evitar uma queda abrupta dos hormônios no organismo deles. Os testes em humanos mostraram-se eficazes em 95% dos voluntários, mas os cientistas ainda não sabem responder às perguntas sobre quais são os efeitos a longo prazo da supressão de testosterona nos homens.

Fontes: G1, Folha e Terra




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